Arrisque-se: O “Não” Você Já Tem

Hoje, pensamentos sobre a palavra “decisões” invadiram minha mente repetidamente. Elas são inúmeras! Bilhões, talvez. E muitas vezes passam despercebidas aos nossos olhos, apesar de seu peso. E por “peso”, refiro-me à responsabilidade que carregam. Oito letras e uma eternidade de consequências. As decisões viajam no tempo, colidindo umas com as outras, gerando ondas que se estendem desde o início da existência humana.

Estamos todos conectados por essa teia de decisões. Uma escolha minha pode, em algum momento, repercutir em sua vida. E isso, francamente, é assustador. O quanto de poder um ser humano pode ter! E com tanto poder, vem o peso. Um peso que repousa sobre nossos ombros, trazendo consigo a “doce agonia” dos limites.

“Por que eu deveria ter limites? A vida não tem isso! Eu quero agora! Só mais um, por favor! Como assim ‘não’?” — Somos criaturas ansiosas, sempre em busca de satisfazer nossos desejos, que, ao contrário de nós, não conhecem fronteiras. Eles são implacáveis. Não distinguem entre quem está em seu caminho e quem está correndo ao lado. Agora imagine o cenário: alguém com todo esse poder nas mãos, mas que, em determinado momento, perde o controle para satisfazer seus impulsos. Terrível, não?

Brincamos com a existência, como malabaristas que equilibram bolas de emoções. Às vezes deixamos cair. Alguns jogam fora, outros devolvem a quem lhes deu a vida. E aqueles que ficam para trás choram, lamentando por não terem feito mais. Essa é a nossa existência — uma montanha-russa de emoções.

Mas há algo fascinante em tudo isso: cada decisão que tomamos é como um movimento do que Aristóteles chamou de potência para o ato. Na potência, estamos diante das possibilidades. Somos como a madeira antes de se tornar uma cadeira ou a semente que ainda guarda, dentro de si, a árvore. O ato, por sua vez, é o que atualizamos, o que trazemos ao mundo real. Uma decisão, quando tomada, transforma nossa vida de modo irrevogável, como a semente que cresce ou a madeira que ganha forma.

Cada escolha é uma realização. Podemos hesitar, e isso faz parte da condição humana. Afinal, enquanto algo está em potência, o mundo parece repleto de caminhos possíveis, mas, no ato de decidir, precisamos abrir mão do que poderia ter sido. Isso nos exige coragem. Transformar o possível no real é um ato profundamente humano.

Essas transformações nos mostram que, apesar dos tropeços e arrependimentos, o movimento de ir da potência ao ato é o que nos dá forma. Fugir das decisões, portanto, é recusar o nosso papel de dar forma a quem somos. É como deixar a madeira sem uso, desperdiçando sua possibilidade de se tornar algo significativo.

Ainda assim, somos ansiosos e falíveis. Amamos as emoções, mesmo quando nos confundem. E é exatamente por isso que precisamos nos lembrar de que a vida, em sua essência, é risco e transformação. Arrisque-se! Tomar decisões faz parte do ato de existir. É a nossa forma de dar realidade ao que antes era apenas um sonho ou ideia.

A vida é como aquela famosa frase que seu tio, pai ou avô sempre dizia quando você tinha medo de “chegar” em alguém: “Vai lá! O ‘não’ você já tem!”. Essa simples frase carrega uma grande verdade filosófica: o possível só se transforma em real se ousarmos agir.

Por fim, agradeço aos meus amigos e suas existências. Eles me trouxeram até aqui, para que eu pudesse sentar em frente ao computador e compartilhar essas ideias. Talvez existir não seja essa tragédia toda, afinal… Pensa só: do lado de cá da realidade, temos sorvete.

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Toda a existência humana, a sua e a minha, é um intervalo entre duas eternidades, um “momento” um “instante” entre elas – tal qual a névoa que se esvai. Sim, antes de nascermos uma eternidade aconteceu, e da qual não fizemos parte, quando viermos a morrer, outra eternidade terá início, da qual não faremos parte.