“O Todo Poderoso” é um filme super interessante — e, de certa forma, até didático. Imagine-se como você é agora e pense que, de repente, você tem todos os poderes de Deus. Fantástico, não é? A ideia traz uma sensação de grandeza imediata.
Sinto-me gigantesco só de pensar nisso! Porém, logo percebo que toda essa “grandiosidade” é apenas meu id se manifestando primeiro, ganhando forma com a plenitude dos meus desejos. A fome de um Titã surge, e a única palavra que define o que sinto é “devorar” — tudo!
Por que queremos isso? A única coisa que parece saciar essa fome é mergulhar de cabeça na emoção pura, aproveitando tudo ao máximo. Nossas mãos anseiam por sentir, nossos ouvidos exigem sons, nossos olhos se deixam levar pelas imagens, nossos narizes buscam novos cheiros, e nossa língua grita por novos sabores. Mas, por sermos humanos e limitados, tudo se desgasta com o tempo.
Neste ponto, Pascal nos oferece uma reflexão importante sobre a nossa pequenez diante da infinidade do universo e a onipotência divina. Ele dizia que o homem, mesmo na sua busca incessante por compreensão e prazer, é como um nada no infinito: “O universo é uma esfera infinita, cujo centro está em toda parte e a circunferência em lugar nenhum.” É como se, ao tentarmos absorver tudo, nos perdêssemos em nossa própria insignificância.
No entanto, esquecemos de algo fundamental: ainda somos humanos. E ser humano significa sentir, pensar e, mais importante, refletir sobre o que pensamos. O prazer está tanto em momentos simples, como sentar-se à mesa com a família para uma boa refeição, quanto em colocar um doce na boca e deixar a mente viajar.
Os extremos existem, isso é um fato. E, às vezes, a vida parece uma grande questão de múltipla escolha. Há um certo desconforto ao pegar a caneta e marcar uma das alternativas. Mas, para responder bem, é preciso ler a pergunta inteira com atenção — talvez mais de uma vez. E se você não souber a resposta, vá no “d” de Deus.
Pascal, ao observar a fragilidade humana, propôs algo simples, mas profundo: acreditar em Deus como a melhor aposta. Ele argumentava que, mesmo sem provas definitivas, a fé é um caminho seguro. Afinal, se Deus existir, é uma escolha que traz benefícios eternos. E se Ele não existir? Nada se perde. Assim, a “múltipla escolha” de nossa vida poderia ser feita não com presunção, mas com esperança e um olhar humilde para o infinito que não compreendemos.
P.S.: Eu realmente acho que ser Deus deve ser bem complicado. Eu, sinceramente, não gostaria! Imagine ser Deus e saber de tudo o que acontece no mundo… Deus me livre! Mas tentar ser mais como Jesus, isso sim é algo que vale a pena. Afinal, em sua humildade e amor, Ele nos mostrou um caminho para viver o divino em nossa própria humanidade.
