Uma pergunta que sempre esteve presente ao longo da história da humanidade e que carrega um preceito errôneo sobre nossa salvação é: “O que devemos fazer de bom para ter a vida eterna?”¹. A resposta a essa questão resultou em equívocos que estraçalharam a fé de muitas pessoas, especialmente na Idade Média, mas também antes dela. Por exemplo, Jó, um homem justo, reto, temente a Deus e que se desviava do mal², sofreu grandes provações. Um de seus “amigos” lhe lançou a mesma pergunta: “Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher?”³.
Não precisamos ir muito longe para perceber quão pernicioso é o ser humano, capaz de atrocidades que são de conhecimento comum e que não precisam ser detalhadas aqui. A verdade é que “não há justo, nenhum sequer; não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios; a boca deles está cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos há destruição e miséria; desconhecem o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos; pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”4.
O que é o pecado?
O pecado é rebeldia, pois “todo aquele que pratica o pecado também transgride a Lei”5. Por exemplo, o mandamento diz: “Jamais minta”, mas pode ser que você considere que contar uma meia verdade não seja realmente mentir. Contudo, “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”6. O pecado nos separa de Deus7. É por isso que Jesus veio, o “Sol da Justiça”, trazendo salvação8. Ele, o Filho de Deus, se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade, e vimos a Sua glória, a glória como do Único Filho de Deus9.
Desde a eternidade, o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai, “a imagem de Deus”, a imagem de Sua grandeza e majestade, “o resplendor de Sua glória”. Ele veio ao mundo para manifestar essa glória, para revelar a luz do amor de Deus e ser “Deus conosco”. Cristo era a Palavra de Deus – o pensamento de Deus tornado audível10. Ele veio à Terra, viveu entre nós, viu as mesmas estrelas que vemos, comeu de nossa comida, bebeu de nossa água, e, finalmente, morreu em nosso lugar, pois “o salário do pecado é a morte”11. Aquele que nunca conheceu o pecado se fez pecado por nós, para que fôssemos salvos por Sua justiça. Cristo foi tratado como merecíamos, para que pudéssemos receber o tratamento que Ele merecia. Foi condenado por nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fôssemos justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte. Ele sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que pertencia a Ele. “Pelas Suas pisaduras fomos sarados”12. Esse sacrifício é onde nossa fé deve repousar.
A Justificação pela Fé
Desde que o pecado entrou no mundo, há apenas dois tipos de adoradores. Adão e Eva tiveram dois filhos, Caim e Abel. Após a queda, eles receberam o evangelho, as boas-novas do próprio Senhor, que prometeu: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”13. Adão e Eva foram ensinados a exercer fé no Redentor que viria, pois não há nada que possamos fazer para nos salvar. Não são as “boas obras” que contam pontos com Deus para nossa salvação. Isso é claramente ilustrado quando Caim e Abel trouxeram suas ofertas ao Senhor. Caim trouxe do fruto da terra, enquanto Abel trouxe das primícias de seu rebanho. O Senhor se agradou de Abel e de sua oferta, mas não se agradou de Caim e de sua oferta14. Caim confiava em si mesmo, em seu próprio trabalho, enquanto Abel confiava em Deus e ofereceu um cordeiro, que tipificava Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo15.
É obra do Espírito Santo produzir essa convicção. Se o pecador não resistir ao Espírito, será levado a abandonar sua pretensão e se lançar sobre Cristo, escondendo-se em Sua cruz e descansando na salvação que vem dEle.
Neste mês, comemoramos 504 anos da Reforma Protestante. É importante lembrar que, um dia, estivemos em guerra contra Deus, mas agora, justificados pela fé, temos paz com Ele através de nosso Senhor Jesus Cristo16.
Referências ¹Mateus 19:16 | ²Jó 1:1 | ³Jó 25:4 | 4Romanos 3:10-18, 23 | 51 João 3:4 | 6Jeremias 17:9 |7c.f Isaías 59:2 | 8Malaquias 4:2 | 9João 1:14 | 10Ellen White, O Desejado de Todas as Nações, p. 19. | 11Romanos 6:23 | 12Ellen White, O Desejado de Todas as Nações, p. 25. | 13Gênesis 3:15 |14Gênesis 4:3-5 | 15João 1:29 | 16Romanos 5:1|
